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  • Rafael Pereira

Salvador 360: Elevador Lacerda

Salvador 360 é uma série de publicações para levar até nosso leitor informações diversas sobre as mais famosas obras da cidade de Salvador. Para inaugurar esse conjunto de postagens, começaremos com o Elevador Lacerda, um dos mais famosos e antigos cartões postais de Salvador e que, até hoje, é referência na cidade e em todo o mundo.


Sabia que nem sempre o Elevador Lacerda teve esse nome? Ou que sua aparência hoje é um conjunto de várias transformações artísticas e estruturais ao longo dos anos?


Acompanhe essa publicação e descubra toda a história por trás do projeto do primeiro elevador urbano do mundo.



Elevador Lacerda iluminado a noite. (Fonte/Reprodução: Wikipédia)


A falha geológica localizada no Centro Histórico, separando em aproximadamente 60 metros de altura a Cidade Baixa da Cidade Alta, sempre foi um obstáculo a ser superada, desde os primórdios da cidade de Salvador. Como tudo que chegava até o Porto (Cidade Baixa) precisava ser transportado até a sede administrativa (Cidade Alta), foram criados, na época, os ascensores urbanos, guindastes, ou planos inclinados, construídos por religiosos das mais variadas ordens, para transporte de carga e pessoas.


Foi entre os anos de 1884 e 1885 que os irmãos baianos Antônio de Lacerda e Augusto Frederico de Lacerda idealizaram o projeto do elevador hidráulico. Ambos estudaram engenharia no Instituto Politécnico de Rensselaer, em Nova Iorque, no entanto Antônio retornou ao Brasil antes de concluir os estudos. O projeto foi iniciado em 1869, financiado pelo pai dos irmãos, Antônio Francisco Lacerda.


O projeto, iniciado em 1869, foi um desafio para a engenharia, envolvendo a perfuração de dois túneis entre as rochas: um vertical para instalação da primeira torre; e um horizontal, para realizar o acesso dos seus passageiros pela Rua da Conceição.



Em 1873, foi finalmente inaugurado e batizado de Elevador Hydráulico da Conceição da Praia. A estrutura inicial era composta por uma torre que abrigava duas cabines, com capacidade para 23 passageiros cada. Os passageiros, bem como suas mercadorias, eram pesados antes de cada transporte, a fim de garantir a segurança do trajeto.

Sua torre seguia um estilo neoclássico, com aberturas em arco pleno em seu acesso na Cidade Baixa, e uma passarela metálica que ligava seu acesso superior até a praça do Palácio.


Todo o dinheiro arrecadado na inauguração do Elevador em 8 de dezembro de 1873, também dia de Nossa Senhora da Conceição da Praia, foi doado ao Asilo dos Expostos da Santa Casa da Misericórdia.


O Elevador tornou-se referência na engenharia da época, porém não trouxe lucros expressivos aos seus criadores. Ficou popularmente conhecido como Parafuso, uma referência a peça espiral que impulsionava suas duas cabines. Em 1896 é batizado novamente como Elevador Lacerda, nome pelo qual é conhecido até hoje.

Elevador Hidráulico da Conceição em 1889 (Fonte: Arquivo do CEAB/FAUFBA)


Anos depois, em 1906, acontecem as primeiras alterações em sua estrutura, nas quais seu sistema hidráulico é substituído por um elétrico e sua torre é alargada em sua extremidade na base.



Foto do Elevador entre os anos 1906 e 1912, com alterações em sua base. (Fonte/Reprodução: Guia Geográfico de Salvador)


No ano de 1930 ocorreu a mudança mais significativa na sua forma: o anexo de uma segunda torre, concebida entre os anos de 1927 e 1928 pelos arquitetos Fleming Thiesen e Adalberto Szilard. Com a criação da nova torre, que se projeta para frente, o elevador atinge 72 metros de altura e todo o conjunto da obra recebeu alterações em seu estilo, seguindo o estilo Art déco, que pode ser observado através de suas pilastras e vãos finos de suas torres.

As torres foram conectadas por meio de uma plataforma de aproximadamente 71 metros de vão, que passa por cima da Ladeira da Montanha, um outro grande marco para a engenharia da época.



Foto do Elevador em 1929, durante a reforma para implantação da segunda torre. (Fonte/Reprodução: Viva Decora)


A reforma de 1930 teve apoio da companhia estadunidense Otis, responsável pelo acréscimo de mais duas cabines para transporte do elevador. Em 1932, em matéria par a a revista Fortune Magazine, a companhia publica as reformas realizadas no elevador e divulga que, em seu primeiro dia de operação, foram transportadas 24 mil pessoas.




Foto da Publicação feita na Fortune Magazine pela Otis Company, em 1932. (Fonte/Reprodução: Guia Geográfico de Salvador)


Em 1 de julho de 1961, ocorre a substituição das cabines por modelos mais modernos, dobrando sua capacidade para 32 passageiros.



Foto das pessoas aguardardando na fila para acesso ao Elevador Lacerda em meados dos anos 70. (Fonte/Reprodução: Perspectives in Anthropology)



Em 2006 o Elevador Lacerda foi tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural)



Foto do Elevador Lacerda atualmente (Foto/Reprodução: Viajento)


Hoje, o Elevador Lacerda é um dos lugares mais visitados da cidade de Salvador e compõe a famosa silhueta urbana do centro histórico da cidade. Estima-se que transporte, por dia, cerca de 28 mil pessoas, em um trajeto de aproximadamente 22 segundos da praça Cairu, na Cidade Baixa, até a Praça Tomé de Souza, na Cidade Alta. Dentre elas, trabalhadores, turistas e visitantes que, ao chegarem ao topo de suas torres, podem avistar outros pontos turísticos da cidade, como o Mercado Modelo, o Forte São Marcelo, e contemplar a descortinada vista panorâmica da Baía de Todos os Santos.



Vista panorâmica da Baía de Todos os Santos (Fonte/Reprodução: Wikipédia)


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